MPT-SE e Instituto Ágatha capacitam Rede de Atendimento às vítimas do Trabalho Escravo e Tráfico de Pessoas em Maruim

Escrito por ASCOM em . Postado em PRT Aracaju

Município é o terceiro do estado a implementar Comissão Municipal de Erradicação do Trabalho Escravo e Tráfico de Pessoas (Comtrae)

Não faz muito tempo. Em 2022, 11 trabalhadores dos estados do Maranhão e Piauí vieram a Sergipe para o corte da cana-de-açúcar no município de Maruim. Aceitaram o trabalho longe de casa porque buscavam o sustento da família, mas não imaginavam encontrar condições degradantes e jornadas exaustivas.

Em janeiro daquele ano, uma operação conjunta do Ministério Público do Trabalho em Sergipe (MPT-SE), Fiscalização do Trabalho e Polícia Federal resgatou os trabalhadores, que eram submetidos a condições análogas à escravidão. Criar uma Rede especializada de combate e prevenção ao trabalho escravo e tráfico de pessoas é uma das estratégias adotadas pelo MPT-SE para evitar que casos como este se repitam.

Em julho deste ano, depois de Canindé de São Francisco e Monte Alegre, Maruim se tornou o terceiro município a criar a Comissão Municipal de Erradicação do Trabalho Escravo e Tráfico de Pessoas (Comtrae) e implementar o fluxo de atendimento aos trabalhadores resgatados. “O município não está incluído em nossas ações por acaso. Os números apontam que, no momento dos resgates, trabalhadores em condições análogas à escravidão declararam que eram oriundos de algumas cidades sergipanas, entre elas Maruim”, explicou o procurador do Trabalho Adroaldo Bispo, coordenador Regional de Erradicação do Trabalho Escravo e Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas (Conaete).

Procurador do Trabalho Adroaldo Bispo
Procurador do Trabalho Adroaldo Bispo

Nesta quinta-feira (29), os integrantes da Comtrae participaram de uma capacitação promovida pelo MPT-SE e Instituto Social Ágatha no Centro de Referência da Assistência Social (CRAS) Emerentina de Souza Maynart. São assistentes sociais, psicólogos e representantes de secretarias municipais que atuam de forma integrada para identificar e acolher possíveis vítimas da exploração

Capacitação foi realizada em Maruim
Capacitação foi realizada em Maruim

A Comissão Municipal existe porque a proteção à vítima do trabalho escravo ou tráfico de pessoas não termina com o resgate. “O nosso compromisso é garantir o trabalho digno, a liberdade e condições de subsistência, sem que os direitos dos trabalhadores sejam violados”, destacou a presidente do Instituto Social Ágatha, Talita Verônica da Silva.

Presidente do Instituto Social Ágatha, Talita Verônica
Presidente do Instituto Social Ágatha, Talita Verônica

Um dos desafios na cidade está relacionado ao ciclo de exploração que começa ainda na infância. Quando crescem e se tornam jovens, muitas vezes vão para longe de casa, em busca de oportunidade. “Como temos muitos jovens e o município não consegue abarcar, quanto ao emprego, eles costumam ir para outros estados e essa é uma preocupação nossa, que eles se tornem vítimas do trabalho escravo”, explicou a psicóloga do CREAS, Somaia Andrade.

Psicóloga do CREAS, Somaia Andrade
Psicóloga do CREAS, Somaia Andrade

A capacitação foi também oportunidade de identificar essas vulnerabilidades e incluir metas para superá-las no Plano de Atendimento às vítimas do Trabalho Escravo e Tráfico de Pessoas de 2027. “Agora estamos com o olhar mais voltado às vítimas do trabalho escravo e tráfico de pessoas. O trabalho da rede é extremamente importante. Cada setor tem sua área de atuação e, juntando toda a equipe, podemos proporcionar o retorno das vítimas ao trabalho digno”, afirmou a assistente social do CREAS, Ana Lúcia Leite.

Assistente social do CREAS, Ana Lúcia Leite
Assistente social do CREAS, Ana Lúcia Leite

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